Saúde do professor e seus direitos no ambiente escolar
A profissão professor foi reconhecida como de extrema importância pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em conjunto com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1984. Já a recomendação sobre o Estatuto do Pessoal Docente foi adaptada em 1966 numa conferência especial intergovernamental convocada pelas duas instituições, a qual estabelece direitos e responsabilidades dos professores e os padrões internacionais para a sua preparação inicial e formação continua, recrutamento, emprego e condições de ensino-aprendizagem.
Desde sua adaptação a Recomendação tem sido considerada muito importante para o conjunto de orientações para a promoção do estatuto dos professores com relevância para a qualidade da educação no Brasil. Uma curiosidade é que o documento, além de traduzido para o português, também foi convertido para o Árabe, Chinês, Inglês, Francês e Russo. E assim segue buscando políticas sólidas relativas à condição do docente pelo mundo. Os novos desafios da profissão e o papel importante que os professores desempenham para enfrentar o dia a dia alertam que os ambientes de trabalho dos educadores estão desencadeando doenças ocupacionais de grau elevado, muitas vezes, levando o profissional a abdicar de sua profissão para cuidar de sua saúde. Os problemas como o estresse despontam nas pesquisas como a principal causa do adoecimento de professores em atividade.
Porém, existem várias outras doenças que comprometem de tal forma a saúde física e mental que o profissional, muitas vezes, corre o risco de ficar incapacitado para o trabalho. Soma-se a esse quadro o risco de diagnósticos de doenças na coluna e na voz – os professores têm aproximadamente 15 vezes mais chances de serem atingidos pelas doenças na voz do que os trabalhadores da saúde, três vezes mais do que os bancários e 1,5 vez a mais do que os profissionais de rádio e tevê. Todos utilizam a voz como ferramenta de trabalho. Dentro dos males que aterrorizam está a síndrome de burnout, que mostra a extrema exaustão emocional dos professores. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que até 2020 a depressão será a segunda maior causa de incapacitação para o trabalho, perdendo apenas para doenças cardíacas.
A rotina dos professores propicia essa realidade. Problemas como a carência de aporte e de equipamentos preventivos para desenvolver as tarefas, falta de autonomia, pressão, sobrecarga de trabalho, inclusive com demandas enormes de tarefas extraclasse, e o medo de perder o emprego são encarados como normalidade da rotina de trabalho pela instituição e até mesmo pelos próprios professores. Diante do contexto, os estudiosos alertam para a necessidade de mudar a lógica de atribuir a responsabilidade do adoecimento aos profissionais que, muitas vezes, se sentem culpados e até mesmo incapazes diante dos sinais de alerta do corpo. As instituições de ensino deveriam buscar soluções para intermediar os diversos conflitos, além de trabalhar de uma forma que consigam observar os sinais de seu grupo de docentes, aqueles que desprezam os sinais do corpo e trabalham mesmo doentes, para atender os compromissos com os alunos e a escola. É necessário que a direção das escolas, o setor pedagógico e o de orientação educacional atuem de forma mais concreta, caso contrário, os professores continuarão adoecendo. A OIT e a Unesco vêm admitindo o quanto o conteúdo de sua recomendação é confrontado pelo cenário atual. Ser um professor empoderado significa ter acesso a uma formação de alta qualidade, salários justos e oportunidades contínuas para o desenvolvimento profissional.
Saiba mais sobre Burnout
A síndrome de Burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, é um distúrbio psíquico descrito em 1974 por Freudenberger, um médico americano. A principal característica é o estado de tensão emocional e estresse crônicos provocado por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastantes. A síndrome se manifesta especialmente em pessoas cuja profissão exige envolvimento interpessoal direto e intenso. Profissionais das áreas de educação, saúde, assistência social, recursos humanos, agentes penitenciários, bombeiros, policiais e mulheres que enfrentam dupla jornada correm risco maior de desenvolver o transtorno.