Doenças respiratórias: conheça mais, combata e evite
Para chamar a atenção de todos os associados e dar relevância aos pacientes que convivem com infecções respiratórias tivemos um bate papo com a médica infectologista Lígia Castellon sobre infecções respiratórias. Nosso objetivo é estimular a informação e incentivar o debate sobre sintomas, diagnóstico e tratamento.
Lígia fez graduação em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1998-2003), residência médica em Infectologia realizada na Faculdade de Medicina de Botucatu (2004-2006). Mestre em Ciências no Programa de pós-graduação em Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Universidade de São Paulo – USP. Especialista em Epidemiologia de campo (EPISUS intermediário). Tem experiência na área de Infectologia, com ênfase em infecção por HIV/Aids (médica referência em Genotipagem) e Tuberculose (médica assistente do PECT-SC).
ACP: O que são infecções respiratórias?
Lígia Castellon: São infecções que surgem em qualquer região do trato respiratório. É possível atingir as vias aéreas superiores, como narinas, garganta ou ossos da face, e as vias aéreas inferiores, como pulmões e brônquios.
ACP: Quais as formas de transmissão?
LC: A transmissão ocorre de forma direta, por meio de secreções nasofaríngeas expelidas ao tossir, espirrar ou falar.
ACP: Quais são os principais tipos de infecção respiratória?
LC: Infecções respiratórias podem ser causadas por vírus, como nos resfriados comuns (rinovírus), gripe (influenza), Covid-19 (coronavírus) e bronquiolites (Vírus Sincicial Respiratório – VSR). Bactérias também representam potencial nocivo para as vias respiratórias, como no caso da tuberculose, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch). Outras doenças, como faringite e sinusite, também podem ser causadas por bactérias, mas também podem ter origem viral ou fúngica.
ACP: Quais são os sinais e sintomas?
LC: Os sinais de infecção respiratória podem incluir as seguintes queixas: dor de cabeça, nos músculos e articulações; garganta inflamada, dolorida e arranhando; nariz entupido; coriza; espirros; tosse; redução ou perda do olfato e paladar; febre; rouquidão; catarro; fadiga; dificuldade para respirar.
ACP: Quais são os grupos de risco?
LC: Os principais grupos de risco são as crianças pequenas, principalmente até os cinco anos de idade, e os idosos. Ambos os casos são relacionados à baixa eficiência do sistema imunológico no combate de vírus e bactérias que causam a infecção.
Para as crianças, a imunidade ainda está em processo de amadurecimento, precisando de vacinas e exposição para formar anticorpos e se desenvolver por completo. Já as pessoas mais velhas passam por um processo de perda da capacidade defensiva do organismo, especialmente após os 50 anos.
Além disso, há outros grupos de risco com as seguintes características: pessoas com comorbidades, doenças crônicas como pressão alta, asma, problemas renais, entre outros; mulheres grávidas ou em fase de lactação; pessoas que vivem em situação de falta de saneamento básico ou desnutrição; pessoas com hábitos que fazem mal a saúde, como abuso de substâncias químicas e tabagismo; pessoas que não têm o cartão de vacinação completo e atualizado. Nessas condições, há um maior risco de desenvolver infecções respiratórias, com mais frequência ou mesmo ter sintomas mais graves, necessitando de internação.
ACP: Como se prevenir?
LC: Precisamos praticar a chamada etiqueta da tosse que consiste em:
– Utilizar máscara se estiver com sintomas respiratórios.
– Higienizar as mãos e objetos com regularidade
– Evitar contato físico e compartilhamento de objetos pessoais
– Evitar aglomerações
– Ao tossir ou espirrar cobrir a boca e o nariz. Se não tiver lenço, procure um local para lavar as mãos em seguida ou higienize as mãos com álcool em gel;
Além disso, a prevenção de doenças respiratórias através de imunização constitui-se uma das principais medidas para controle das infecções respiratórias. As principais vacinas para a prevenção das infecções respiratórias são: Vacina Influenza, Vacina Pneumo 13, Vacina Pneumo 23, Vacina Haemófilus e Vacina DTPa (Difteria, Tétano e Coqueluche).
ACP: Como fazer o tratamento?
LC: Para as infecções causadas por vírus, na grande maioria das vezes, o tratamento baseia-se no alívio das queixas. O repouso e a hidratação (ingestão adequada de água) são as principais ferramentas para alívio dos sintomas. Podem ser úteis também o uso de analgésicos para alívio das dores de garganta e febre, além da lavagem nasal com soro fisiológico para alívio da coriza e espirros. No caso das bactérias, existem diversas classes de antibióticos que devem ser sempre indicadas pelo médico.
Vale ressaltar:
A importância de evitar contato próximo com outras pessoas em caso de sintomas; evitar aglomerações, especialmente em ambientes fechados, são importantes para reduzir a disseminação dos agentes de transmissão respiratória e por consequência os casos graves e óbitos causados por eles.